Sobre isso…

Um aspecto do idadismo é a vergonha dos sinais do tempo, a perda de firmeza da pele, os cabelos brancos, porém não é sob esta ótica que gostaria de aborda-lo.
Trago a perspectiva do idadismo que desqualifica as pessoas mais velhas por as considerarem que não são uteis para produzir.
Com isso, nega seus direitos e as coloca a margem da sociedade, como um fardo.
Ora, se todos envelhecemos todos os dias qual o sentido de aceitarmos esse tratamento como futuro de todos os que tiverem sorte de o viver?
Soube recentemente que os planos de saúde – vamos dizer – “burocratizam” bastante o processo de novos entrantes a partir de determinada idade.
Sem nos aprofundarmos no viés imoral dos planos de saúde, como pode ser (de certa forma) negado a participação a saúde a partir de determinada idade?
Aqui vale ainda ressaltar a importância do SUS. Quando a saúde é tratada como mercadoria, a logica do capital incide na maximização dos lucros e essa perspectiva mercantilista idadista entende o idoso como um ofensor.
A partir de determinado momento não merecemos mais acesso a direitos básicos?
Existe portanto, a face do idadismo que captura a pauta da dor do julgamento comportamental, do “certo/errado” para determinada idade, o tema estético, etc.
Mas existe o aspecto mais nefasto que naturaliza a balada de Narayama, empurrando as pessoas a uma queda vertiginosa apenas por seguirem existindo.
Não é como se apagassem o passado das pessoas, é pior, é resumi-las apenas por o que já foram/produziram e não pelo que são.
É tranca-las em seus aposentos com sua aposentadoria de fome e joga-las a própria sorte.
Não é um tema estético, tampouco deveríamos permitir a condução via diversidade de vitrine.
É um tema político, de políticas públicas que permitam a sustentabilidade da vida humana.
E que não permitam apenas a existência, mas o pertencimento e os direitos a saúde, assistência social, cultura, educação, segurança, lazer, trabalho, moradia…
Não é apenas sobre assumir os fios brancos, é sobre a dignidade de continuar vivendo em uma sociedade que te reduz, infantiliza e marginaliza.
É sobre ter que resistir a um evento natural onde a outra alternativa é o fim.

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